quarta-feira, 23 de março de 2011

Queixas são recorrentes no Hospital Regional de Cáceres

Na entrada do Hospital Regional de Cáceres, a família de Florentina Borges da Silva aguarda ansiosa. A dona-de-casa de 40 anos sofreu um derrame na madrugada de domingo e estava até as 18 horas de ontem no setor de emergência, aguardando uma vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que está lotada, assim como todos os leitos.

Os pacientes se espalham em macas pelos corredores. Do lado de fora, a faixa comunica a greve dos médicos, expressando que o movimento não tem data para acabar.

Os depoimentos de pacientes e acompanhantes têm o mesmo teor. A espera é angustiante. “Estamos recebendo alimentação normalmente, mas falta informação. Os funcionários falam que a situação só tende a piorar, se houver mesmo a terceirização dos serviços. A briga é deles e nós é que arcamos com as consequências”, comentou o autônomo Cleverland da Silva Souza, de 28 anos, morador de Cáceres, hospitalizado há 21 dias depois de ter se acidentado de moto. Ele espera por uma cirurgia na perna direita. “Se denunciamos o fato na Promotoria de Justiça, o promotor pede um laudo do médico. Ora, os médicos estão em greve”, completou, ironizando a própria situação.

Quadro semelhante é o do mototaxista Mateus Assunção Silva, de 33 anos, morador de Poconé. Ele está no Hospital Regional de Cáceres há 40 dias, também devido a um acidente de moto. Precisa operar braço e joelho, e as cirurgias já foram marcadas e adiadas por três vezes.

O estudante Wender Valejo está no hospital há um mês, acompanhando o avô, Jaime Valejo, de 74 anos, que precisa passar por uma cirurgia craniana, devido a uma má-formação congênita. “Agora parece que vão transferi-lo para Cuiabá”, informou, acrescentando que o hospital está lotado de pacientes, com macas esparramadas pelos corredores.

O diretor do Hospital, Jonas Ribeiro, não quis conceder entrevista e disse, por telefone, que informações, só através da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde. Limitou-se a dizer que o hospital está atendendo 100% as emergências e 30% os serviços de ambulatório. Com a greve, que já entrou na segunda semana, as cirurgias eletivas, que em tempos normais já demoram para acontecer, ficam ainda mais comprometidas.

Segundo a coordenação do Consócio Intermunicipal de Saúde do Oeste de Mato Grosso, Cisomt, a greve do Regional não atinge diretamente o consórcio, que dá atendimento em consultas, exames e encaminhamentos. O Cisomt tem seu quadro próprio de profissionais. Mas a greve atinge pacientes de toda a região sudoeste que têm Cáceres como polo de atendimento médico, o que significa um universo de mais de 200 mil habitantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário