terça-feira, 22 de março de 2011

Brasil pede cessar-fogo e ONU rejeita pedido de ditador da Líbia

Fogo das defesas antiaéreas de Gaddafi rasgam o céu de Trípoli, bem acima do hotel onde os correspondentes estrangeiros estão hospedados; ditador tenta manter o controle sobre a capital, enquanto aliados atacam


Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) publicou nesta segunda-feira (21) uma nota oficial em que lamenta a perda de vidas por causa do conflito na Líbia e defende um cessar-fogo na região. A manifestação ocorre após os bombardeios liderados por nações como a França e Estados Unidos contra as Forças de Gaddafi na Líbia.

Ao mesmo tempo, a ONU rejeitou um pedido feito pela Líbia para que o Conselho de Segurança da entidade discuta a situação no país, alegando que civis estão sendo bombardeados.


O Brasil se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que decidiu autorizar os ataques contra as forças do ditador Muammar Gaddafi.

Gaddafi acusou a coalizão de aliados ocidentais e árabes, que discutiram detalhes dos ataques no último sábado (19), em Paris, de “agressão militar”.

Em uma carta assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Musa Kousa, a Líbia acusa os EUA e a França de bombardear “vários alvos civis”.



A exemplo do Brasil, nem todos estão convencidos de que a intervenção seja a melhor solução. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin chamou a resolução da ONU autorizando a ação militar de "cruzada medieval", em referência aos movimentos militares de inspiração cristã que partiram da Europa Ocidental em direção à Terra Santa na Idade Média (entre os séculos 5 e 15).

- A resolução é deficiente e falha. Ela permite tudo.

Mesmo assim, a Rússia não usou seu poder de veto contra a resolução na quinta-feira (17) e simplesmente se absteve, assim como o Brasil e a China, esta última que também criticou os ataques aéreos contra a Líbia.

Já a Itália - que faz parte da operação Aurora da Odisseia - poderá retomar o controle de suas bases aéreas cedidas aos países aliados caso a Otan (aliança militar do Ocidente) não defina uma estrutura de coordenação para a missão, disse nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini.

Nesta segunda-feira, os bombardeios atingiram parte do complexo presidencial, onde vive Gaddafi.




Veja a íntegra da nota do Itamaraty

"Ao lamentar a perda de vidas decorrente do conflito no país, o Governo brasileiro manifesta expectativa de que seja implementado um cessar-fogo efetivo no mais breve prazo possível, capaz de garantir a proteção da população civil, e criar condições para o encaminhamento da crise pelo diálogo.

O Brasil reitera sua solidariedade com o povo líbio na busca de uma maior participação na definição do futuro político do país, em ambiente de proteção dos direitos humanos.

O Governo brasileiro reafirma seu apoio aos esforços do Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para a Líbia, Abdelilah Al Khatib, e do Comitê ad hoc de Alto Nível estabelecido pela União Africana na busca de solução negociada e duradoura para a crise.

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