Militares americanos fazem treinamento em Maniago, perto de Aviano, na Itália. Base americana na cidade é um dos recursos utilizados na operação militar contra o regime de Muammar Gaddafi, há 40 anos no poder na Líbia
Forças leais ao ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, lançaram uma ofensiva sobre duas cidades do país nesta terça-feira (22), após a terceira noite de ataques aéreos em Trípoli.
A cidade de Misrata, terceira maior da Líbia, é alvo de intensos bombardeios de tanques e artilharia das forças leais ao líder, afirmou Sadon el Mehmeraty, um dos porta-vozes rebeldes na localidade, à rede Al Jazeera, de acordo com a agência de notícias EFE.
O porta-voz indicou que os ataques das forças do regime com tanques e projéteis vêm ocorrendo há horas. Segundo ele, entre as vítimas, há quatro crianças. A agência de notícias Reuters confirma a história com o depoimento do morador de Misrata identificado apenas como Mohammed.
- A situação aqui é muito ruim. Os tanques começaram a disparar contra a cidade nesta manhã. Atiradores de elite estão participando da operação também. Um carro civil foi destruído, matando quatro crianças dentro, a mais velha tinha 13 anos.
Abdul Hafid Abdul Qader Ghoga, vice-presidente e porta-voz do Conselho Nacional Transitório (CNT) - órgão de autoridade dos rebeldes no leste do país -, havia dito nesta segunda-feira que a situação em Misrata era "crítica" e que a cidade não tinha eletricidade, água corrente nem gasolina, ainda segundo a EFE.
Segundo fontes rebeldes, as tropas do regime conseguiram entrar em algumas áreas da cidade no domingo, protegendo-se assim de um possível ataque das forças aliadas.
Um porta-voz militar do governo de Gaddafi afirmou nesta segunda-feira à noite, à imprensa líbia, que Misrata já estava sob controle do regime, informou a EFE.
Nos bombardeios desta segunda-feira morreram pelo menos 40 pessoas, segundo testemunhas na cidade citadas pela Jazeera. O número também foi divulgado pelo canal Al Arabiya, que indicou que a quantidade de feridos supera 300.
Segundo esta última emissora, as forças da coalizão internacional atacaram na noite de segunda-feira os arredores de Sirte, cidade natal de Gaddafi, a meio caminho entre Trípoli e Benghazi.
A rede de TV Al Jazeera informou que forças de Gaddafi tentavam tomar a cidade rebelde de Zintan, perto da fronteira tunisiana no oeste, em um ataque com armas pesadas. Os moradores já haviam fugido do centro da cidade em busca de refúgio nas cavernas das montanhas.
Aliança enfrenta temor de impasse na transferência de comando
Enquanto isso, a campanha ocidental enfrenta questionamentos sobre o futuro de sua estrutura de comando.
De um lado, os rebeldes contrários a Gaddafi têm dificuldades em criar uma cadeia de comando que capitalize os ataques aéreos contra tanques e defesas aéreas da Líbia, por outro lado, as nações ocidentais ainda têm que decidir quem controlará as operações depois que Washington se retirar.
Os EUA cederão o controle da ofensiva aérea em questão de dias, disse o presidente americano, Barack Obama, no momento em que as divisões na Europa alimentam a especulação de que Washington será forçado a manter a liderança das patrulhas aéreas em substituição ao bombardeio inicial.
- Prevemos que essa transição ocorra em questão de dias e não semanas.
Um caça F-15 E da Força Aérea americana caiu na Líbia entre a noite desta segunda-feira (21) e a manhã desta terça-feira (22), os dois tripulantes foram recuperados, de acordo com os militares dos Estados Unidos. A queda provavelmente foi causada por falha mecânica e não fogo hostil, disseram.
A televisão estatal líbia disse que várias localidades de Trípoli sofreram ataques aéreos na segunda-feira. Não havia confirmação de novas ofensivas ocidentais pelo ar na campanha para aplicar uma zona de exclusão aérea e proteger civis.
Os rebeldes, que foram forçados a recuar a seu reduto em Benghazi, segunda maior cidade do país, antes dos ataques aéreos deterem um avanço das forças de Gaddafi, nada fizeram para retomar seu plano de avanço sobre Trípoli - despertando temores de que a guerra pode chegar a um impasse.
Obama não especificou que nação ou organismo assumiria a campanha, mas Reino Unido e França tomaram a dianteira nos assaltos aéreos à Líbia, que já destruíram boa parte de suas defesas aéreas.
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que a intenção é transferir o comando à Otan, mas a França declarou que os países árabes não querem a aliança encabeçada pelos EUA a cargo da operação no país produtor de petróleo.

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